Quando criança, eu queria ser dentista, por influência da minha mãe, cujo pai exercia a profissão. Ela me deu de presente os instrumentos do consultório dele que guardava como lembrança, além de um brinquedo, que eu apelidei carinhosamente de Bocão, no qual você colocava os dentes de massinha e tratava as cáries. Depois eu quis ser professora – juntava os amiguinhos da rua e dava aula de artes, português, matemática. Ser astronauta também passou pela minha cabeça, afinal, quem não se encanta pelos mistérios do céu? E, por fim, quase na adolescência, para desespero da minha mãe, desejei ser atriz. Cheguei a atuar, mas não quis seguir.

Me formei em comunicação, precisava trabalhar, me manter financeiramente, e a faculdade já estava quase concluída. Trabalhei por seis anos como publicitária. Cansei. Meus valores não iam mais ao encontro dos da empresa. Fiz outra formação e atuo como coach. Daqui a 10 anos, posso ser psicóloga, empresária, mãe, dona de casa, escritora… Teria eu que definir o que eu vou ser depois de crescer?

Muitos profissionais estão frustrados e trabalham para sobreviver. Eu sou coach de transição de carreira, mas não desenho para o meu cliente o caminho que ele deve seguir ou a profissão que deveria ter escolhido quando tinha apenas 17 anos. Essa é uma busca pessoal. Encontrar sua missão só é possível por meio do autoconhecimento. Caso contrário, você continuará batendo cabeça pelas empresas afora.

Você precisa escolher uma empresa cujos valores e cultura estejam atrelados ao que você acredita e valoriza. Mas você não conhece seus valores, você sabe pouco de si mesmo. E é essa ausência do autoconhecimento que faz com que nos deixemos ser influenciados por terceiros. E, por não sermos protagonista da nossa história, nossas escolhas, muitas vezes, são enganos.

Uma pergunta importante: você se vê atuando na mesma profissão daqui a cinco anos? Você se enxerga construindo carreira na empresa em que está trabalhando? Se o seu trabalho não o motiva o suficiente para você se manter onde está, chegou a hora de parar e refletir. O autoconhecimento é o primeiro caminho.

É preciso colocar a cara a tapa, acertar, errar. O erro faz parte do nosso crescimento. É dessa forma que você irá encontrar seu propósito. Felicidade plena, que vendem por aí, não existe. Que graça teria uma vida retilínea, sem curvas, sem bossa… É necessário buscar projetos que fazem sentido para você e que o desafiam.  Dinheiro é importante sim, mas não deve vir no primeiro plano.

Recolha seus medos, levante a cabeça, recomece. Ninguém poderá fazer isso por você. Busque um profissional que possa ser um apoio e uma ferramenta na sua jornada de autoconhecimento. O resultado? Possibilidades impensadas.


crise dos 30 anos